quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Gunners em evidência


Deu no site do yahoo, a coluna de Sérgio Rizzo. Os Gunners assombram a Europa. Como torcedor, eu ainda estou um pouco desconfiado do time. Mas que dá para sonhar alto isso dá. Antes da coluna, aviso que não comecei bem no Cartola. Desta vez, Paulo Baier me deixou na mão. Na coluna, percebe-se a afinidade do estilo dos gunners com os das meninas-perfeitas: ousadia e sempre o ataque como a melhor defesa. É bonito de ver, nem sempre dá resultado, por isso existem no futebol, assim como no pólo aquático, os defensores do jogo feio (segura maiô, chuta no limite do tempo etc). Ainda bem que a Holanda e, quem sabe os Gunners vão nos mostar que ainda existe espaço para o espetáculo e o esporte bem praticado.

A segunda rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões teve jogos disputados, com vitórias importantes de Manchester United, Real Madrid, Barcelona e Roma fora de casa, além de triunfos consistentes de Liverpool e Atlético de Madri em seus domínios. O futebol mais vistoso, no entanto, foi exibido pelo Arsenal, nos 4 a 0 aplicados em cima do Porto na terça-feira, em Londres.
O placar sugere um passeio, mas não foi bem assim. O Porto teve chances concretas de abrir o placar e, até os 3 a 0, ainda equilibrava a partida. A qualidade portuguesa apenas realça as virtudes do Arsenal, em noite muito feliz tanto no aspecto tático quanto em atuações individuais.
Assim como o Manchester United em seus melhores momentos na última temporada, o Arsenal jogou o tempo todo de forma vertical, em direção ao gol adversário, graças sobretudo a dois meias – o espanhol Fabregas e o brasileiro Denílson – que aceleram a distribuição de bola com notável qualidade.
Mais adiante, em padrão multinacional convergente, um atacante aberto pela direita (o inglês Walcott, finalmente fazendo justiça à expectativa criada em torno dele desde a convocação precoce para a Copa de 2006), outro pela esquerda (o francês Nasri, que tem talento potencial para uma carreira brilhante em clubes e na seleção), mais um enfiado pelo meio, mas com mobilidade (o togolês Adebayor, em ótima forma), e um ponta-de-lança com tremenda habilidade (o holandês Van Persie, ocupando um espaço simbólico no Arsenal que já foi de Dennis Bergkamp).
É arriscado jogar assim? Sem dúvida. Mas, além de ser atraente para quem vê a partida, essa escola mais agressiva obriga o adversário a se encolher, sobretudo fora de casa, e o coloca em uma armadilha se por acaso levar um gol nos primeiros 30 minutos. Nesse caso, precisará se abrir e, aí, tenderá a ser engolido. A casa do Porto começou a cair aos 31, com uma jogada bem trabalhada que terminou com assistência de Adebayor para Van Persie.
Nenhum segredo, claro. Ao contrário: o estilo é de uma simplicidade encantadora. Nem sempre funciona (no domingo, o Arsenal havia perdido em casa para o Hull City pela Premier League), mas oferece espetáculo quando a engrenagem está azeitada.
A renovação do elenco comandada pelo francês Arsène Wenger começou a dar frutos muito cedo, já na última temporada, em que o Arsenal liderou a Premier League até o segundo turno e chegou às quartas-de-final da Liga dos Campeões (perdeu para o Liverpool). Agora, os meninos já estão jogando como gente grande, com mais segurança e regularidade. Olho neles.

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